O economista José Sergio Gabrielli, que coordenou o programa de governo da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diz que a situação fiscal do Brasil é “menos dramática” do que afirmam os defensores da austeridade. Em um artigo publicado na segunda-feira, ele ainda assim argumentou que a nova administração deveria considerar medidas para reduzir o déficit.

Gabrielli listou dez possíveis medidas para aumentar a arrecadação, com base no programa de Lula e em propostas de organizações políticas progressistas. Entre elas estão a revisão de contratos de energia, telecomunicações e imóveis próximos do vencimento, a reavaliação de compras padronizadas e a revisão de incentivos fiscais. Ele disse que os incentivos deveriam ter prazos, objetivos e condições definidos.

Ele também defendeu um exame mais rigoroso das emendas orçamentárias do Congresso, argumentando que os recursos deveriam estar alinhados a programas estruturais, e levantou a questão de como financiar a previdência social. Para 2027, Gabrielli defendeu a diversificação das fontes de financiamento e disse que isso não deveria envolver aumentar a idade mínima para aposentadoria, reduzir a indexação ou restringir a elegibilidade como atalho para economizar recursos fiscais.

Gabrielli elogiou a proposta do economista André Lara Resende de limitar as taxas de juros, dizendo que ela merecia atenção especial como forma de coordenar as políticas monetária e fiscal. Ele argumentou que os juros altos aumentam os custos do serviço da dívida e que as melhoras na relação dívida/PIB não seriam significativas se as taxas de juros permanecessem elevadas.

O artigo citou a dívida pública bruta em 82,9% do PIB, seu nível mais alto desde 2021, e a taxa Selic em 13,75% ao ano. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse no domingo que a proposta de limitar as taxas de juros não estava sendo considerada pelo presidente.

Gabrielli também disse que a reação do mercado financeiro à reeleição de Lula refletiu a expectativa de que o senador Flávio Bolsonaro venceria. Separadamente, o presidente do PT, Edinho Silva, disse que apenas Durigan estava autorizado a falar sobre política econômica e alertou que especulações não ajudavam o país.

Fontes: Folha Mercado.