A Binance afirmou que o impacto estimado de um ataque cibernético à sua plataforma foi de cerca de US$ 6,3 bilhões, o que pode torná-lo o maior roubo de criptomoedas já registrado. A corretora disse que aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos afetados foram congelados na blockchain, mas não explicou a situação dos US$ 3,3 bilhões restantes. Afirmou que esperava retomar os saques em até 44 horas.

A empresa disse que o ataque envolveu transações de saque não autorizadas, depois que um invasor obteve acesso a um laptop pertencente a um engenheiro de DevOps e, em seguida, a um contêiner de serviço. Mais tarde, a Binance afirmou ter encontrado outros pontos de comprometimento. A empresa informou não haver evidências de que chaves privadas de carteiras tenham sido vazadas e disse que sua investigação não identificou o invasor.

A Binance afirmou que os fundos dos clientes estavam seguros e que cobriria as perdas. O co-CEO Richard Teng disse que o Fundo Seguro de Ativos para Usuários da empresa, juntamente com recursos da própria companhia, seria usado para isso. O fundo é uma reserva de bitcoin de US$ 1 bilhão destinada a proteger os ativos dos clientes em caso de falha de segurança.

Várias empresas de cripto ajudaram a congelar ativos. A Tether afirmou ter congelado quase US$ 1,57 bilhão relacionado ao incidente, enquanto a Circle informou ter congelado mais de US$ 800 milhões. A cofundadora da Binance, Yi He, disse que cerca de US$ 27 milhões em stablecoins e aproximadamente US$ 2 milhões em tokens da World Liberty haviam sido congelados; ela também informou que a Ripple tinha congelado cerca de US$ 200 milhões. A corretora afirmou estar coordenando os esforços com parceiros e autoridades.

As empresas de pesquisa em blockchain TRM Labs e Chainalysis identificaram semelhanças entre o ataque e roubos anteriores associados ao TraderTraitor, um grupo ligado à Coreia do Norte. A TRM disse ter alta confiança nessa avaliação e afirmou que grande parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos. A Binance não atribuiu a responsabilidade, e a Coreia do Norte negou repetidamente as acusações de roubos cibernéticos ligados ao Estado.

A notícia fez os preços das criptomoedas caírem. O bitcoin chegou à mínima de seis semanas, a US$ 76.368, enquanto o ether recuou mais de 3%, a uma mínima de dois meses, de US$ 2.178, antes de os mercados se estabilizarem. O token BNB da Binance caía 5% em 24 horas, para US$ 709,70. As ações da Coinbase recuaram 4,8%, enquanto as da Strategy caíram quase 6% nas negociações estendidas nos Estados Unidos.

A perda informada superaria em muito o recorde anterior citado na reportagem: os US$ 1,5 bilhão roubados da Bybit em fevereiro de 2025. Outros grandes roubos de cripto incluem US$ 610 milhões da Poly Network em 2021, US$ 540 milhões da Ronin Network e US$ 320 milhões da Wormhole em 2022, e US$ 530 milhões da Coincheck, sediada em Tóquio, em 2018. A Mt. Gox perdeu cerca de US$ 500 milhões em bitcoin entre 2011 e 2014 antes de pedir falência, deixando cerca de 24.000 clientes sem acesso aos seus fundos.

Pesquisadores da TRM Labs disseram que quase US$ 2,9 bilhões em criptomoedas foram roubados em quase 150 ataques no ano passado. O relatório anual da Binance para 2025 informou que a corretora tinha 335 milhões de usuários registrados em todo o mundo e mantinha cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos sob custódia.

Fontes: Folha Mercado.