A Coreia do Norte negou envolvimento no roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance, chamando a acusação do FBI de “retórica absurda” e provocação política. O FBI atribuiu o ataque ao TraderTraitor, um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte que também foi acusado de roubar US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit em fevereiro de 2025.
Kim Yo-Jong, a influente irmã do líder norte-coreano Kim Jong-Un, disse que a acusação demonstrava que Washington continuava hostil a Pyongyang, de acordo com uma reportagem publicada na terça-feira pela agência estatal de notícias KCNA. Ela rejeitou a alegação de que a Coreia do Norte fosse responsável por crimes cibernéticos em todo o mundo.
Especialistas em cibersegurança afirmam que os hackers norte-coreanos estão entre os ladrões de criptomoedas mais ativos. A Elliptic estima que grupos ligados à Coreia do Norte roubaram US$ 7,6 bilhões em criptomoedas neste ano, um valor recorde. O governo norte-coreano nega as acusações de envolvimento em roubos de criptomoedas e outros crimes cibernéticos.
Analistas em Seul disseram que a resposta rápida de Pyongyang pode refletir a preocupação de que a acusação leve a medidas mais rigorosas contra fontes de receita que o país é acusado de usar para financiar seus programas de armas. Lim Eul-chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam, disse que o roubo de criptomoedas se tornou uma importante fonte de recursos para a Coreia do Norte em meio às sanções em vigor. Outras ações dos EUA contra carteiras de criptomoedas, redes de lavagem de dinheiro e corretoras poderiam prejudicar essa receita, afirmou.
O banco central da Coreia do Sul estimou o produto interno bruto da Coreia do Norte em 2025 em 47,18 trilhões de won, ou US$ 35,09 bilhões. Portanto, o suposto roubo da Binance equivaleria a cerca de um sexto da produção econômica estimada do país.
A Chainalysis estimou que a Coreia do Norte esteve ligada a 89% das perdas de criptomoedas causadas por ataques hacker em 2026, ante 15% em 2021. A empresa também calculou que a perda média reportada por ataque foi de US$ 185,65 milhões em 2026, em comparação com US$ 50,65 milhões em 2021. Alec Zebrick, gerente sênior de serviços globais para a região Ásia-Pacífico na Chainalysis, disse que os invasores podem estar mirando corretoras maiores porque as recompensas potenciais são elevadas.
Analistas disseram ao Financial Times que a lavagem dos US$ 6,3 bilhões roubados pode levar meses. Os tokens roubados continuam visíveis em blockchains públicas, mas os invasores começaram a transferi-los em pequenas quantias por várias plataformas e milhares de novas carteiras, para dificultar o rastreamento do fluxo dos fundos.
Os hackers estão usando mercados de empréstimos de finanças descentralizadas e serviços de corretoras de criptomoedas para converter os tokens roubados em outros ativos. A Elliptic afirmou que, até o fim de semana, cada dólar em tokens lavado pela blockchain Tron havia sido transferido nove vezes. No auge da atividade, no sábado, a empresa observou uma transação a cada três segundos.
A Binance está investigando como seus sistemas foram comprometidos e trabalhando com o FBI e empresas de análise de blockchain para rastrear os fundos. A corretora informou aos usuários que reembolsará todos os tokens roubados com recursos próprios, incluindo cerca de US$ 1 bilhão em bitcoin mantidos em seu fundo de emergência e uma parte de sua receita denominada em tokens. O co-CEO da Binance, Richard Tang, disse na terça-feira que 95% dos tokens afetados já haviam sido substituídos e que a empresa tinha condições financeiras de cobrir a perda.
Fontes: Folha Mercado.