Um tribunal de São Paulo ordenou a apreensão de uma aeronave ligada ao grupo Voepass por causa de uma dívida de cerca de R$ 9 mil. A ação foi ajuizada em julho de 2025 pelo Coqueiro Parc Hotel, em Goianá, Minas Gerais, que afirma ter valores a receber pela hospedagem oferecida a tripulantes e passageiros da companhia aérea.
A Voepass informou ao tribunal que havia feito várias tentativas de receber o pagamento amigavelmente, mas não obteve resposta. Como o bloqueio judicial das contas bancárias da empresa não encontrou fundos, o juiz ordenou a apreensão de um ATR-72-212A, matrícula PR-PDT. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou a apreensão ao tribunal no fim de outubro.
A aeronave pertence à Passaredo Transportes Aéreos, empresa que, segundo decisão do tribunal, não estava abrangida pela recuperação judicial do grupo Voepass. A juíza Mayra Gomes de Almeida afirmou que a empresa não estava sujeita aos efeitos do processo de recuperação. A Voepass ainda pode recorrer da apreensão.
A companhia aérea informou ao tribunal que o hotel não havia comprovado que os serviços foram prestados. Em declaração à Folha, por meio de sua assessoria de imprensa, o grupo disse que trataria do assunto apenas no processo judicial.
A Voepass está em recuperação judicial desde maio de 2025, depois que a Anac suspendeu suas operações por descumprimento de requisitos regulamentares relativos aos sistemas de gestão. Mais tarde, a agência revogou o certificado de operador aéreo da companhia. Apenas empresas do grupo que atuam em serviços financeiros e na gestão de hangares estão incluídas no processo de recuperação.
O tribunal rejeitou um pedido para incluir a Passaredo nesse processo, entendendo que ela não atendia ao requisito legal de estar em atividade quando o pedido foi apresentado. A recuperação judicial suspende temporariamente as ações de execução contra uma empresa, dando-lhe tempo para apresentar um plano de pagamento aos credores. No ano anterior, uma aeronave da Voepass caiu em Vinhedo, São Paulo, matando as 62 pessoas a bordo.
Fontes: Folha Mercado.