O economista Juan González Herrero estará a procurar novos investidores através de um escritório de advocacia sediado em Ponferrada, apesar de estar sob investigação do Tribunal Nacional de Espanha no âmbito de um alegado esquema de pirâmide de 200 milhões de euros ligado à Herrero Brigantina. A empresa atraiu cerca de 35.000 clientes na Europa com produtos de investimento, planos de pensões, seguros e serviços hipotecários.

Segundo gravações realizadas clandestinamente em 2025 por um antigo associado e analisadas pela publicação de origem, González promoveu obrigações empresariais que ofereciam um retorno de 300% em 15 dias. Num exemplo, descreveu como um investimento de 50.000 euros poderia transformar-se em 150.000 euros nesse período.

González estará a canalizar a oferta através da Leyec 2024 SLP, um escritório de advocacia em Ponferrada criado três meses depois do início da investigação. Documentos societários indicam-no como o seu único administrador, juntamente com dois advogados. Um dos sócios do escritório, Luis Fernández, afirmou desconhecer que o escritório estava a ser utilizado para angariar fundos e disse que não trabalhava com González.

O antigo associado que gravou as reuniões apresentou uma queixa em Valladolid relativa a dois cheques no valor de 29.600 euros que, segundo afirma, foram emitidos por González, mas devolvidos por falta de pagamento. O antigo colaborador também alega que González lhe mostrou documentos e contas bancárias e afirmou que mais de 100 milhões de euros ligados à Herrero Brigantina estavam depositados no México e garantiriam o dinheiro dos investidores. O advogado Jaime del Pozo, que representa o queixoso, afirmou que as alegações poderiam envolver suspeitas de falsificação de documentos e fraude.

Nas gravações, González terá reconhecido que os clientes poderiam suspeitar de que as obrigações eram fraudulentas. Argumentou que cometer outra infração enquanto já estava sob escrutínio do Tribunal Nacional seria demasiado arriscado. Disse também que outra empresa dentro da estrutura empresarial cobriria qualquer défice caso surgissem problemas depois de terem sido angariados cinco milhões de euros junto dos clientes.

A publicação de origem afirmou que González sugeriu, noutra conversa, que tinha fundos no estrangeiro e precisava de agir com cautela, porque a divulgação poderia prejudicar um possível acordo com os procuradores no caso da Herrero Brigantina. As tentativas de obter uma resposta sua não tiveram sucesso.

José Luis Ortiz, advogado que representa 563 clientes da Herrero Brigantina que depositaram 25 milhões de euros, afirmou que González tinha criado três empresas enquanto continuava sob escrutínio judicial. Ortiz também o acusou de se apresentar como advogado apesar de não o ser e disse que pediria a sua prisão preventiva sem possibilidade de fiança.

Pessoas que trabalharam com González no último ano descreveram-no como carismático e altamente persuasivo, com um forte domínio da terminologia financeira. Disseram que oferecia comissões de até 30%. Um profissional do setor financeiro, falando sob anonimato, afirmou ter ficado preocupado com uma linha de crédito proposta de 22 milhões de euros e alegou que González bloqueava as pessoas que levantavam dúvidas.

González foi detido pela Polícia Nacional de Espanha em 2023. Durante a expansão da Herrero Brigantina, o grupo terá considerado uma cotação em bolsa, enquanto o Financial Times o classificou em 149.º lugar na sua lista de 2021 das 1.000 empresas de crescimento mais rápido da Europa. A empresa construiu a sua reputação promovendo retornos de 50% ao longo de dez anos. González enfrenta agora um escrutínio judicial contínuo enquanto promove uma nova proposta de investimento.

Fontes: El País Economía.