A varejista brasileira Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 731 milhões no terceiro trimestre de 2026, ante lucro líquido de R$ 134 milhões no mesmo período do ano anterior. A empresa afirmou que operações descontinuadas, incluindo os hipermercados Extra e postos de combustíveis, responderam por R$ 511 milhões do prejuízo. Os resultados foram divulgados na quarta-feira, 4 de novembro.

A receita líquida caiu 6,5% em relação ao ano anterior, de R$ 4,9 bilhões para R$ 4,6 bilhões. De janeiro a setembro, as vendas líquidas totalizaram R$ 12,7 bilhões, abaixo dos R$ 14 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O EBITDA ajustado, porém, aumentou 16,9%, para R$ 482 milhões, ante R$ 412 milhões, e ficou 7% acima do trimestre anterior.

O CEO Alexandre Santoro disse que os resultados refletem avanços nas operações da empresa, apesar do prejuízo líquido maior. “A fotografia é essa, mas o filme é diferente. Já estamos começando a colher os benefícios do que nos propusemos a fazer em termos de ganhos de eficiência”, disse ele à Folha.

O GPA está implementando o que chama de Plano de Eficiência, que inclui cortar cerca de 20% do quadro de funcionários corporativos, encerrar contratos menos eficientes, reduzir os gastos com publicidade, otimizar o frete e diminuir as perdas operacionais. A empresa também entrou com um pedido de recuperação extrajudicial de dívidas, aprovado por um tribunal de São Paulo em 7 de outubro. Mais de R$ 4,3 bilhões em dívidas estão sendo renegociados.

Santoro descreveu a eficiência e o enfrentamento de passivos estruturais, incluindo dívidas tributárias e trabalhistas e demandas arbitrais, como essenciais para a recuperação da empresa. Uma terceira prioridade é retomar o crescimento das vendas. O GPA afirmou que a queda da receita refletiu, em parte, sua decisão de priorizar a rentabilidade, inclusive encerrando, no início deste ano, o formato de parceria “Aliados” para pequenos e médios estabelecimentos de bairro.

As vendas também foram afetadas por efeitos de calendário e pela queda das vendas em mesmas lojas. O GPA afirmou que o anúncio de sua reestruturação afetou temporariamente a disponibilidade de produtos no segundo trimestre. A falta de produtos diminuiu no terceiro trimestre e está se aproximando dos níveis normais, embora ainda esteja acima dos observados antes do anúncio da reestruturação. As vendas em mesmas lojas caíram 1,4% em relação ao ano anterior, após o ajuste por um efeito de calendário de 0,4 ponto percentual. A empresa espera que a aprovação judicial de seu plano de reestruturação ajude a normalizar o abastecimento e a sustentar as vendas.

A varejista também está reposicionando a marca Extra, que representa um terço de sua receita, disse Santoro. O trabalho inclui foco em preços e seleção de produtos, além do fortalecimento das categorias de alimentos frescos com equipes técnicas e novos fornecedores. Ele afirmou que o GPA perdeu participação de mercado nos últimos anos e precisa melhorar a qualidade do atendimento.

Santoro também apontou as condições econômicas do Brasil como um desafio para as varejistas, citando o alto endividamento das famílias e o custo do crédito. Ele disse que a empresa não planeja abrir novas lojas além das unidades já previstas em contratos anteriores.

Fontes: Folha Mercado.