A Alta do dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a afetar os preços das commodities agrícolas brasileiras, incluindo soja, milho, açúcar, trigo e café. A desvalorização do real pode beneficiar os produtores, mas também elevar os custos para os consumidores se os preços mais altos das commodities forem repassados aos alimentos.

O dólar subiu 9,2% na semana seguinte à eleição e chegou a R$5,486 na terça-feira, seu nível mais alto desde dezembro de 2025, de acordo com o relatório. Na quarta-feira, abriu em baixa e era negociado a R$5,475 às 9h48. Analistas apontaram as preocupações do mercado com a direção das contas públicas durante o quarto mandato de Lula como um dos fatores por trás da alta da moeda.

“Quanto mais tempo o dólar permanecer acima do pré-eleição, maior é a probabilidade de ter algum impacto nos preços”, disse André Braz, economista do FGV Ibre. A soja e o milho também podem afetar a produção de carne, porque são usados na alimentação animal.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) afirmou que o dólar mais forte tornou a soja brasileira mais competitiva internacionalmente, atraindo o interesse de compradores estrangeiros e elevando os preços. Uma saca de 60 quilos no Paraná custava R$152,45 na terça-feira, alta de 3,9% em relação a 23 de outubro. Os preços do milho também subiram: uma saca de 60 quilos na região de Campinas custava R$66,19, 3% acima do nível pré-eleitoral.

Outros fatores podem limitar novos aumentos, disse Gabriel Viana, analista da Safras & Mercado. O plantio de soja está avançando na maioria das regiões, embora chuvas fortes tenham afetado partes do Sul. Viana também alertou que temperaturas mais altas associadas ao El Niño podem pressionar as lavouras mais adiante. Os preços do diesel são outra preocupação, pois o combustível é um insumo agrícola; o governo renovou na semana passada o subsídio ao diesel por 30 dias.

Os preços do açúcar e do trigo também foram afetados. O Cepea associou o dólar mais forte à alta dos preços à vista do açúcar cristal branco em São Paulo. O preço médio entre 26 e 30 de outubro foi de R$128,57 por saca de 50 quilos, alta de 2,3% em relação à semana anterior e a 15ª alta semanal consecutiva. Na terça-feira, uma saca custava R$127,33, 1,5% acima do nível de 23 de outubro.

Os preços do trigo estão sendo sustentados pela oferta limitada de grãos de boa qualidade após as chuvas durante a colheita, com a alta do dólar acrescentando pressão, afirmou o Cepea. O preço médio no Rio Grande do Sul, maior estado produtor de trigo do Brasil, aumentou 2,2% em outubro.

O dólar mais forte também voltou a colocar as exportações de arroz em destaque no Rio Grande do Sul, principal estado produtor de arroz do país. O Cepea afirmou que a expectativa de retomada da demanda externa levou alguns vendedores a adiar negócios, enquanto as indústrias limitaram as compras em meio a vendas fracas e dificuldades para repassar o custo das matérias-primas. O preço médio do arroz no estado em outubro foi o mais alto em termos nominais desde fevereiro de 2025.

Os preços do café no Brasil permaneceram firmes, apesar das quedas nos mercados internacionais, afirmou o Cepea, pois o dólar sustentou os preços internos. Na terça-feira, uma saca de 60 quilos de café robusta custava R$975,32, alta de 4,1% em relação a 23 de outubro. O arábica custava R$1.611,06, aumento de 0,6% no mesmo período.

Fontes: Folha Mercado.