Os preços do petróleo caíram acentuadamente na segunda-feira, enquanto os operadores avaliavam a possibilidade de retomada das negociações entre os Estados Unidos e o Irã. O petróleo Brent, referência internacional, recuou até 7,96%, para US$ 104,40 por barril, por volta das 13h45, horário de Brasília, seu nível mais baixo desde 21 de outubro. Por volta das 15h, era negociado a US$ 104,38, em queda de 8%. O WTI, referência dos EUA, caiu 7,77%, para US$ 96,04 por barril.
A liquidação ocorreu após comentários do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que afirmou que o líder supremo do país havia concedido ao governo “certos poderes” nos esforços para chegar a um acordo com Washington. Pezeshkian disse que o Irã tentava resolver a questão por meio do diálogo, segundo a imprensa local.
Os comentários foram feitos enquanto mediadores regionais, liderados pelo Catar, intensificavam os esforços para intermediar um acordo provisório antes das eleições de meio de mandato dos EUA, na terça-feira. Autoridades iranianas conversaram com mediadores em Doha no fim de semana, após um dia de discussões em Teerã na sexta-feira. Uma pessoa informada sobre as conversas disse que os dois lados queriam um acordo e pareciam mais flexíveis, embora ainda não se soubesse se a diplomacia poderia superar as divergências entre eles.
Os operadores de petróleo também acompanhavam a possibilidade de novos ataques dos EUA e de Israel contra Teerã após as eleições. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está pressionando o presidente dos EUA, Donald Trump, a retomar rapidamente a guerra, segundo pessoas a par do assunto. Trump descartou um ataque antes das eleições de meio de mandato, mas ainda não decidiu se retomará as operações militares, disseram essas pessoas.
A perspectiva de diálogo aumentou a volatilidade em um mercado que já estava concentrado no conflito no Oriente Médio. O estrategista do ING Francesco Pesole afirmou que os preços do petróleo incorporavam um prêmio substancial de risco geopolítico e que uma retórica mais moderada de ambos os lados havia ajudado a reduzir os preços.
A queda também ocorreu depois que o Brent para entrega em dezembro chegou a US$ 118 por barril na sexta-feira. Parte do recuo de segunda-feira refletiu a mudança do contrato de referência principal para a entrega em janeiro. Os analistas continuavam cautelosos quanto às chances de uma nova rodada de negociações de paz, após repetidas tentativas de chegar a um acordo nos últimos oito meses.
Executivos disseram que meses de interrupções nos fluxos de petróleo do Oriente Médio haviam reduzido as margens de segurança do mercado global e tornado os preços mais sensíveis aos acontecimentos regionais. O CEO da Vitol, Russell Hardy, disse aos participantes da conferência Adipec, em Abu Dhabi, que o mercado estava equilibrando oferta e demanda em uma situação difícil, e questionou se poderia suportar novas interrupções.
A queda nos preços do petróleo ajudou a sustentar uma recuperação das ações dos EUA na segunda-feira. O Nasdaq 100 subiu 0,4%, enquanto o S&P 500 avançou 0,6%. Os preços mais baixos do petróleo também impulsionaram os títulos públicos, que vinham sendo pressionados por preocupações com a inflação; o rendimento dos gilts britânicos de 10 anos caiu 0,09 ponto percentual, para pouco menos de 5,2%.
Fontes: Folha Mercado.