A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado do Brasil deve votar na quarta-feira uma proposta que permitiria a prefeitos e governadores renegociar dívidas durante os quatro últimos meses de seus mandatos. As regras atuais do Senado geralmente proíbem governos estaduais, municipais e do Distrito Federal de contrair empréstimos nos 120 dias anteriores à saída de um governante do cargo, com exceções limitadas, entre elas o refinanciamento de dívidas em títulos.

O projeto, apresentado pelo senador Renan Filho, ampliaria essas exceções para incluir operações de reestruturação e recomposição de dívidas. Um relatório do senador Eduardo Braga exigiria que os governos publicassem informações em um site oficial, incluindo cálculos do valor da dívida atual, comparações com a operação proposta, cronogramas anuais de pagamentos para ambos os acordos e mudanças significativas nas condições financeiras.

Renan Filho argumentou que a medida daria a governadores recém-eleitos ou reeleitos opções mais favoráveis para reestruturar as dívidas estaduais. Ele afirmou que novos empréstimos continuariam sujeitos às regras do Tesouro e a salvaguardas destinadas a garantir prudência fiscal durante as eleições.

O senador Omar Aziz, eleito governador do Amazonas, pediu que a proposta fosse incluída na pauta da comissão. Braga afirmou que Aziz havia recomendado cautela devido aos prazos estabelecidos pela Secretaria do Tesouro Nacional. Uma administração temporária liderada por Roberto Cidade havia recebido anteriormente autorização para tomar emprestados 1,4 bilhão de reais, mas o processo não foi concluído.

Os senadores que apoiam a mudança também destacam o tempo necessário para as negociações com o Tesouro, que podem levar meses ou mais. A senadora Leany Lemos afirmou que um processo rápido poderia levar de um ano a um ano e meio e que as negociações são interrompidas assim que começam as restrições do período eleitoral. Ela acrescentou que a proibição atual tem o objetivo de impedir que as administrações que estão deixando o cargo transfiram encargos financeiros para seus sucessores.

A comissão deveria votar na terça-feira, mas a análise foi adiada após um pedido coletivo de mais tempo para examinar a proposta, liderado pelas senadoras Eudócia Caldas e Izalci Lucas. O projeto não está sendo analisado por um procedimento que tornaria definitiva a decisão da comissão, portanto ainda precisaria ser encaminhado ao plenário do Senado. Por se tratar de uma resolução do Senado, não precisaria de aprovação presidencial.

Fontes: Folha Mercado.