A taxa básica de juros Selic do Brasil permanece em 13,75% ao ano após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interromper seu ciclo de redução dos juros. A decisão mantém atraentes os investimentos pós-fixados — cujos rendimentos acompanham a Selic ou o CDI, uma taxa de referência do mercado privado —, disseram analistas à Folha.
Os títulos vinculados à inflação também continuam entre as opções preferidas dos analistas. Esses títulos pagam uma taxa fixa além da inflação, embora os de vencimento mais longo possam oscilar mais de preço se os investidores precisarem vendê-los antes do vencimento.
Marcelo Freller, estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, disse que a volatilidade recente dos contratos futuros de juros no Brasil, do dólar e do mercado de ações levou a uma postura mais conservadora em relação à renda fixa. Ele prefere títulos pós-fixados e vê nos títulos vinculados à inflação com vencimento em até três anos uma oportunidade.
Uma estimativa do C6 Bank aponta que o retorno real líquido de um investimento de um ano em títulos Tesouro Selic com vencimento em 2028 é de 6,67%, após o imposto de renda e a inflação projetada. Pedro Moreira, sócio da One, disse que os investimentos pós-fixados continuavam sendo a principal preferência da empresa, sem mudanças significativas nas condições de mercado que justificassem uma alteração estrutural nas carteiras.
O C6 Bank também estima que um investimento de um ano em um certificado de depósito bancário (CDB) que pague inflação mais 7,05% ao ano proporcionaria um retorno real líquido de 4,98%. Eduardo Amorim, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, disse que os títulos vinculados à inflação oferecem taxas reais historicamente atraentes e proteção contra a inflação, ressaltando a importância de considerar os horizontes e os riscos dos investimentos.
A postura cautelosa ocorre em meio a fortes oscilações do mercado após a vitória eleitoral de Lula para um quarto mandato. O artigo informa que o mercado de ações caiu 18% na semana anterior, sua maior queda desde 2020, enquanto o dólar subiu 9,18%, sua maior alta em 18 anos. Os contratos futuros de juros também avançaram mais de 2%.
A reação do mercado reflete a preocupação de que o governo não tome medidas suficientes para equilibrar as contas públicas. A expectativa de continuidade de uma política fiscal expansionista pode elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores e pressionar as taxas de longo prazo, enquanto um dólar mais forte pode aumentar os custos das empresas que dependem de insumos importados e adicionar pressão à inflação.
Economistas consultados no Boletim Focus elevaram a previsão de inflação para o ano de 5,19% para 5,22%. As estimativas também subiram para 4,76% em 2027 e 4% em 2028. O artigo diz que a inflação ficou em 4,62% nos 12 meses até outubro, acima do teto de 4,5% do intervalo da meta do Banco Central.
As expectativas para a Selic também aumentaram. A previsão para o fim do ano subiu de 13,25% para 13,5%; as projeções para 2027, 2028 e 2029 avançaram para 12,5%, 11% e 10,25%, respectivamente.
Antônio Sanches, analista de alocação da Rico, disse que a diferença entre um corte de juros de 0,25 ponto percentual e a manutenção das taxas importa menos do que a perspectiva de os juros permanecerem elevados por mais tempo. Ele afirmou que os investimentos atrelados à Selic podem ganhar mais peso nas carteiras, enquanto os juros mais altos podem tornar menos atraentes os ativos de maior risco, como ações e fundos imobiliários.
Os analistas não descartaram as ações, mas recomendaram que os investidores sejam seletivos e estejam preparados para a volatilidade. Arthur de Almeida, diretor de investimentos da Suno Consultoria, disse que a recente queda do mercado tornou alguns ativos mais baratos e recomendou priorizar empresas com perfil conservador e balanços sólidos. Moreira também disse que a exposição ao dólar e a ativos denominados em dólar continuava importante para diversificar as carteiras durante períodos de tensão doméstica.
Fontes: Folha Mercado.
